Jornal “i”

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31/03/2014

Raquel Mendes Pereira nasceu no Brasil, filha de pai português que um dia emigrou de Oliveira do Conde, no concelho de Carregal do Sal, em pleno coração do Dão, para procurar o ganha pão em terras de São Paulo. Há uma dezena de anos resolveu vir para Portugal tratar da quinta da família. Além de saber pouco sobre Portugal, também não sabia nada de vinhas, de terras, de terroir, de castas, de Dão. Foi por amor, ao pai, às filhas, à terra, que deixou a grande metrópole paulista e se fixou na terra de seu pai.

O seu sotaque vale-lhe a alcunha de a “braseleira”, mas Raquel tem orgulho nisso, como tem orgulho em ter conseguido tornar conhecido e ter elevado a um patamar tão elevado a herança familiar, aprendendo tudo o que havia a aprender sobre vinho.

A aventura prosseguiu muitas vezes por tentativa e erro até acertar. Os seus vinhos são hoje uma referência de elegância e complexidade entre os vinhos do Dão. Na adega foi feito investimento na mais moderna tecnologia, mas também de lá não saiu nenhuma tradição, como afirma bem disposta. De facto, os antigos lagares de granito e os depósitos de cimento (hoje revestidos a epoxy) convivem pacificamente com as modernas cubas inox e com as barricas de boa madeira provenientes das melhores tanoarias.

A Quinta Mendes Pereira tem cerca de 12 hectares de vinha, toda entre os 10 e os 60 anos. As castas que ocupam maior área são a encruzado, a tinta roriz, a touriga nacional, a alfrocheiro e a jaen.
A enologia está a cargo de António Narciso.